No dia 28/11/2013 a Artista Plástica Patrícia Silva de Oliveira junto com a Artista Plástica Flávia Kikuchi Machado participaram dessa exposição coletiva com o objeto conceitual "A Língua". A Exposição aconteceu na Central de Salas da Universidade Estadual de Ponta Grossa. A obra é formada por duas serras de tamanhos diferentes com uma tela de arame em seu interior. A serra representa a língua.
A
Língua
A
língua que lisonjeia, que fala enganosamente
Que
maltrata, fere, despedaça
Que
rasga sem piedade e destrói o que é belo.
Língua
pequena, curta, um dos pequenos órgãos do corpo
Mas
quando usada para o mal não conseguimos medir o rastro de destruição.
A poesia viaja na emoção, no coração que despedaça
por
palavras que o faz sofrer, seja jovem, adulto ou
idoso,
todos podem
sofrer pela palavra dita sem pensar, joga-se um saco de penas de cima de um
penhasco ao vento e depois tente reunir novamente essas penas.
Essas são as palavras disparadas pela língua como um
revolver, letais
Com a rapidez de uma bala alcança o coração.
As também pode proferir palavras amigas,
verdadeiras, depende apenas do orador.
Normalmente
colocaríamos o objeto na frente do conhecimento, mas aprendemos que o objeto
apesar de importante, vem depois do conhecimento, das ideias. Nosso objeto é a
serra, mas nossa ideia é que esse objeto represente a língua. Assim como a
serra corta madeira, plástico e metais duros a língua também, ela destrói,
corta, fere, despedaça, tritura todos os corações que são alvos dessa língua
destruidora.
De
acordo com Bachelard “a ciência é um produto do espírito humano, produto
conforme as leis do nosso pensamento adaptado ao mundo exterior” (COLEÇÃO OS
PENSADORES- EDITORA ABRIL,p.103) em nossa poética da língua estamos adaptando
nosso pensamento sobre a língua ao objeto que é a serra, tentando provar que
nosso pensamento sai do comum para o científico. Esse autor ainda diz que o mesmo se deverá dizer de todas as formas
novas do pensamento científico que
extemporaneamente vem projetar uma luz que dissipa as obscuridades do
pensamento incompleto. Estamos dando uma nova luz, um novo pensamento e
utilidade para a o objeto “serra” que para nós é um órgão do corpo.
Lúcia Santaella (1993) diz que “para conhecer e se conhecer o
homem se faz signo e só interpreta esses signos traduzindo-os em outros signos.
O significado de um pensamento ou signo é um outro pensamento.”
(...) “Eis aí, num
mesmo nó, aquilo que funda a miséria e a grandeza de nossa condição como seres
simbólicos. Somos no mundo, estamos no mundo, mas nosso acesso sensível ao
mundo é sempre como que vedado por uma crosta sígnica que, embora nos forneça
os meios de compreender, transformar, programar o mundo, ao mesmo tempo usurpa
de nós uma existência direta, imediata, palpável, corpo a corpo e sensual com o sensível” (SANTAELLA 1993).
"Muitos caíram
pelo fio da espada, porém mais foram os que caíram por causa da língua" (Eclesiástico 28,18). Precisamos nos
policiar pois para se tornar uma pessoa que usa a palavra de forma destrutiva é
muito fácil, é preciso pensar antes de falar, ter sentimentos de empatia, não
falar nada sem fundamentos e tendo o cuidado para não magoar.
A língua tem poder para
curar ou destruir, a escolha é nossa. Que possamos viver para abençoar a vida
dos outros, e, não o contrário.
REFERÊNCIAS
SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. 1°.ed.São Paulo,
Brasiliense, 1993. (coleção primeiros passos; 103). FREIRE, Cristina, Arte conceitual, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006.
CIVITA, Victor, Bachelard- Coleção Os Pensadores, São Paulo, Editora Abril, 1978.

Nenhum comentário:
Postar um comentário