quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

  Exposição "Isso não é uma Bienal, mas é Conceitual"

No dia 28/11/2013 a Artista Plástica Patrícia Silva de Oliveira junto com a Artista Plástica Flávia Kikuchi Machado participaram dessa exposição coletiva com o objeto conceitual "A Língua". A Exposição aconteceu na Central de Salas da Universidade Estadual de Ponta Grossa. A obra é formada por duas serras de tamanhos diferentes com uma tela de arame em seu interior. A serra representa a língua.
A Língua
                                                                                                 
A língua que lisonjeia, que fala enganosamente

Que maltrata, fere, despedaça

Que rasga sem piedade e destrói o que é belo.

Língua pequena, curta, um dos pequenos órgãos do corpo

Mas quando usada para o mal não conseguimos medir o rastro de destruição.

A poesia viaja na emoção, no coração que despedaça por

palavras que o faz sofrer, seja jovem, adulto ou idoso,

 todos podem sofrer pela palavra dita sem pensar, joga-se um saco de penas de cima de um penhasco ao vento e depois tente reunir novamente essas penas.

Essas são as palavras disparadas pela língua como um revolver, letais

Com a rapidez de uma bala alcança o coração.

As também pode proferir palavras amigas, verdadeiras, depende apenas do orador.

 
Normalmente colocaríamos o objeto na frente do conhecimento, mas aprendemos que o objeto apesar de importante, vem depois do conhecimento, das ideias. Nosso objeto é a serra, mas nossa ideia é que esse objeto represente a língua. Assim como a serra corta madeira, plástico e metais duros a língua também, ela destrói, corta, fere, despedaça, tritura todos os corações que são alvos dessa língua destruidora.
           De acordo com Bachelard “a ciência é um produto do espírito humano, produto conforme as leis do nosso pensamento adaptado ao mundo exterior” (COLEÇÃO OS PENSADORES- EDITORA ABRIL,p.103) em nossa poética da língua estamos adaptando nosso pensamento sobre a língua ao objeto que é a serra, tentando provar que nosso pensamento sai do comum para o científico. Esse autor ainda diz que  o mesmo se deverá dizer de todas as formas novas  do pensamento científico que extemporaneamente vem projetar uma luz que dissipa as obscuridades do pensamento incompleto. Estamos dando uma nova luz, um novo pensamento e utilidade para a o objeto “serra” que para nós é um órgão do corpo.
           Lúcia Santaella (1993) diz que “para conhecer e se conhecer o homem se faz signo e só interpreta esses signos traduzindo-os em outros signos. O significado de um pensamento ou signo é um outro pensamento.”
            (...) “Eis aí, num mesmo nó, aquilo que funda a miséria e a grandeza de nossa condição como seres simbólicos. Somos no mundo, estamos no mundo, mas nosso acesso sensível ao mundo é sempre como que vedado por uma crosta sígnica que, embora nos forneça os meios de compreender, transformar, programar o mundo, ao mesmo tempo usurpa de nós uma existência direta, imediata, palpável, corpo a corpo e sensual com o sensível” (SANTAELLA 1993).
           "Muitos caíram pelo fio da espada, porém mais foram os que caíram por causa da língua" (Eclesiástico 28,18). Precisamos nos policiar pois para se tornar uma pessoa que usa a palavra de forma destrutiva é muito fácil, é preciso pensar antes de falar, ter sentimentos de empatia, não falar nada sem fundamentos e tendo o cuidado para não magoar.
            A língua tem poder para curar ou destruir, a escolha é nossa. Que possamos viver para abençoar a vida dos outros, e, não o contrário.
 
 
REFERÊNCIAS
SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. 1°.ed.São Paulo, Brasiliense, 1993. (coleção primeiros passos; 103).
FREIRE, Cristina, Arte conceitual, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006.
CIVITA, Victor, Bachelard- Coleção Os Pensadores, São Paulo, Editora Abril, 1978.

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